Eu não morri, não mesmo (Mahara Carolina D’avila Scremin)

Minha mãe Cristina, meu pai Jonei, tanto quanto vocês estou na expectativa de lhes trazer algumas palavras…

Estou com a grande emoção desses instantes, mas surpresa por saber que seria possível o contato entre nós…

Não escrevo só, amigos que conheci aqui com um jovem querido chamado Abelha segura minhas mãos junto com o do companheiro que me serve como se ele fosse um lápis ou caneta, que me serve de instrumento.

Estou como anestesiada, mas bem, mãe e pai. Recebi o auxílio de corações bons e vou fazendo o melhor para ficar bem, as lágrimas chegam fortes e estou feliz por poder amenizar seus corações.

Eu não irei colocar o nome do companheiro que se fez meu esposo, mas que a doença da cólera e daquilo que chamamos de rompante o levou àquela loucura de me ferir e eu não tive como evitar a ocorrência que ele fez.

Ah mãe e papai, como é difícil a gente entender as possíveis loucuras de uma pessoa que se desequilibra e é capaz de ferir uma outra.

Eu compreendo e sei a dor que ele deixou em nossa família, mas imagino que agora preso em uma cela deve olhar para o coração e ter me ouvido e ter me compreendido.

Eu não morri, não mesmo, e chego aqui com o coração em paz, claro, com o coração recebendo o tratamento de recuperação que preciso diante do choque que vivi.

Mãe e pai, eu venho sossegar seus corações para não pensarem que esteja em maiores sofrimentos ou presa a tudo que me aconteceu.

Já passou aqueles instantes terríveis, e dia após dia eu estou me sentindo melhor.

Peço que sejam fortes, pois nos alegra que somos uma família de paz junto com meus irmãos Felipe e Eduardo, que esperam de vocês, aliás de vê-los fortes na caminhada.

Sou orgulhosa do lar que tive e da educação que me deram.

Os ciúmes e a posse das pessoas são doenças graves, eu infelizmente tive a prova máxima e cruel disso.

Não guardo feridas no corpo que aqui cheguei e me encontro, e graças a Deus isso não me permite que acesse a minha memória.

Sei que deste ambiente iluminado que nos encontramos seguirei em outros rumos de mais paz e harmonia.

Onde fui socorrida me ajudaram e me acolheram com tanto amor. Perguntei de vocês, meus pais, e meus irmãos, e me tranquilizaram, e hoje aqui sei que você cuida daquele serzinho que tanto amo, o meu, o nosso Beto, meu neguinho mais lindo que também é uma lembrança que ficou.

Deus lhes pague, porque os animais são também de Deus.

Em alguns dias estaremos pensando no Natal e o Ano Novo, não irei cobrar nada, mas não desanimem, mantenham os preparativos pois hoje também nestas folhas nasce para nós uma nova vida de certeza, na qual o mal de outro não é maior que o bem supremo de Deus.

O meu bichinho é a marca de mim nestas folhas, e que meus irmãos sigam com a cabeça erguida para sempre.

Meu tempo aqui termina com o coração na mão, mas com o alívio no peito por saber que meus pais sairão daqui melhores e mais animados para a vida.

Sou a filha mais grata, com emoção e lágrimas de esperança, com o beijo em seus corações, a filha Mahara.

MAHARA CAROLINA D’AVILA SCREMIN (31/05/2017, 23 anos)

Mensagem psicografada na Associação Beneficente Espírita Caminheiros do Bem, em Curitiba, no dia 17 de dezembro de 2017, pelo médium Orlando Noronha Carneiro.

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